Opinião | Sou Um Crime

Autora: Trevor Noah
Editora: Tinta da China
Publicação: Novembro de 2018
Género: Biografia
Nº de Páginas: 364

SINOPSE

«Actualmente, Trevor Noah apresenta o icónico programa televisivo americano The Daily Show. Actualmente, é um humorista reconhecido em todo o mundo. Mas no dia em que nasceu era um crime — isto é, fruto da relação entre uma negra e um branco durante o apartheid, na África do Sul, crime punível com cinco anos de prisão.

Sou Um Crime relata o percurso de Trevor Noah num mundo onde ele nem deveria existir, e onde se sentia deslocado quer nas zonas dos brancos quer nos subúrbios dos negros. Um rapaz que aos sete anos teve de saltar de um carro em andamento, que jantou muitas vezes caldo de lagartas, que cresceu num regime opressor em tempos perigosos, e que chegou à idade adulta atravessando os tumultuosos primeiros anos de liberdade do seu país. Impulsionado pela sua mãe — rebelde, teimosa, exigente e a grande homenageada do livro — e através de um prodigioso sentido de humor, Trevor Noah conseguiu quebrar o ciclo de pobreza e discriminação a que estava condenado, e chegar ao lugar onde o vemos hoje.»

Capa: ★★★★☆
Edição: ★★★★★
Escrita: ★★★★★
Relevância do Tema: ★★★★★
Responsabilidade: ★★★★★
Sentimento: ★★★★★
Apreciação Geral: ★★★★★

Aviso de Conteúdo: alcoolismo, violência doméstica, assédio, cenas gráficas, racismo;

Uma história de força, coragem e resiliência contada em primeira pessoa. Trevor Noah, famoso ator e comediante sul africano, partilha as memórias de uma vida durante os últimos anos do Apartheid, numa época em que a sua própria existência era considerada um crime. É um daqueles livros em que se mergulha de cabeça, com uma cena de abertura absolutamente chocante, a partir da qual se inicia uma viagem surpreendente pela infância e adolescência do autor. 

«Fazemos coisas horríveis uns aos outros porque não vemos a pessoa que o nosso gesto afecta. Não vemos o seu rosto. Não a encaramos como pessoa. E era mesmo por esse motivo que o bairro existia: para manter as vítimas do apartheid longe da vista e longe do coração.»

Há muita coisa que se pode retirar deste livro. Desde a descrição de um sistema segregacionista que ainda hoje faz sentir as suas marcas na sociedade até ao cultivo de um olhar de compreensão e tolerância sobre crenças e culturas que em tanto divergem das vivências ocidentais. Tudo isto é transmitido de forma natural e quase subliminar, imiscuído nos relatos das experiências insólitas que pontuam esta biografia. A narrativa flui de forma leve e descomplicada, sempre em tom jovial e espirituoso com uma pitada refrescante de sarcasmo que se mantém consistente tanto nos momentos divertidos como nos momentos mais tensos. 

O autor confronta-nos com a realidade do que foi não saber o seu lugar no mundo, sendo filho de pai branco e mãe negra, e de tentar fazer mais do que apenas sobreviver numa sociedade programada para condenar os negros ao fracasso. A sua mãe, Patricia Noah, é a principal agente desta convicção e um dos maiores exemplos de coragem, rebeldia e determinação que alguma vez conheci. O seu papel, tanto neste livro como na vida de Trevor Noah, foi fundamental e senti que, mais do que uma biografia, este livro foi um hino à sua existência. 

Adorei esta leitura. Foi brilhante e comovente e valeu cada minuto. Leiam se puderem. Vai fazer-vos pensar em questões que provavelmente nunca vos tinham passado pela cabeça e fá-lo-á de forma didática e divertida. Sem dúvida, um dos favoritos do ano, se não de sempre. 

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