Opinião | Não Serei Eu Mulher?

Autora: bell hooks
Editora: Orfeu Negro
Publicação: Setembro de 2018
Género: Não Ficção
Nº de Páginas: 318

SINOPSE

«bell hooks, feminista e activista norte-americana, discute em Não serei eu mulher? questões como a feminilidade negra, através da análise do impacto do sexismo sobre as mulheres negras durante a escravatura, o envolvimento das mulheres negras nos movimentos feministas e o racismo entre feministas. Escrito durante a licenciatura da autora e publicado apenas em 1981, Não serei eu mulher? é desde então louvado como reflexão pioneira e clássico obrigatório da teoria feminista.»

Aviso de Conteúdo: este livro contém descrições gráficas de violência, escravatura, violação, pedófilia e outros temas sensíveis.

«Não Serei Eu Mulher?» foi uma frase popularizada por Sojourner Truth, nascida em escravatura, abolicionista afro-americana e ativista dos direitos das mulheres. Foi proferida no decorrer de um discurso espontâneo de 1851, onde Sojourner questionou a disparidade de direitos básicos entre homens e mulheres. 

A ativista e teórica feminista negra bell hooks recorre a essa emblemática citação para apoiar e intitular a sua própria tese, que reflete e questiona, através de referências históricas e sociológicas, o lugar da mulher negra na luta contra o machismo e até que ponto o feminismo, como ideologia e movimento essencialmente branco e elitista, a representa. 

Não é uma leitura para qualquer um, mas uma que recomendo vivamente a quem tem o interesse e a coragem de questionar tudo aquilo que julga conhecer sobre a sociedade e seus mecanismos necropolíticos. 

A autora começa por nos instruir sobre o as práticas hediondas a que ambos homens negros e mulheres negras eram submetidos no tempo da escravatura e recorre a argumentos, estatísticas e testemunhos para expor a forma como essas práticas continuam a ser perpetuadas pela sociedade atual. É uma denúncia da forma como, historicamente, as perspectivas e experiências das mulheres negras têm sido silenciadas e desvalorizadas, tanto pelos organismos opressores da sociedade sexista e racista como por muitos dos movimentos feministas que excluem minorias étnicas das suas pautas, e apesar de ser um texto que que se foca nas experiências estadunidenses, facilmente se pode transpôr a outros contextos.

Como mulher negra, esta leitura foi uma experiência muito pessoal. Senti-me compreendida e fui capaz de legitimar muitos dos pensamentos que tenho tido ao longo da minha vida e das minhas experiências. Não é uma leitura fácil, não pela escrita, que sustenta os argumentos de forma acessível e coerente, mas pelo peso de muitas das afirmações e suas implicações nas nossas crenças, privilégios e posição na sociedade. 

É preciso levar em conta que este livro foi publicado em 1981, portanto algumas das perspectivas apresentadas não são tão atuais. Ainda assim, é uma leitura que agrega ao estado de consciência necessário para que verdadeiras mudanças possam ocorrer na sociedade.

Relevância do Tema: ★★★★★
Argumentação: ★★★★☆
Fundamentos: ★★★★★
Escrita: ★★★★★
Apreciação Geral: ★★★★☆

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