Carta Aberta | Cath Avery de Fangirl

E se pudesses enviar cartas às personagens dos livros?

Sabem aquelas pessoas que quando estão a ver um filme começam a tentar falar com as personagens? Eu sou exatamente assim, mas com os livros (e com filmes também, confesso). Sempre fui uma pessoa muito expressiva e quando uma personagem mexe muito comigo, sinto necessidade de comunicar com elas, seja para as abraçar ou para lhes dar um abanão. 

Tive esta ideia quando estava a ler Fangirl e fui obrigada a lidar com Cath, que provavelmente foi uma das personagens que mais detestei. Fiquei com tanta coisa entalada para lhe dizer que decidi criar esta “rubrica”, chamada Carta Aberta, onde irei escrever cartas às personagens dos livros que leio. 

Mas há um twist: a carta tem de ser escrita como se a personagem a realmente fosse ler. 

Sou uma forte apologista do respeito e da empatia, e apesar de por vezes me exaltar um pouco a falar sobre livros e personagens, não quero que isso sirva de exemplo ou pretexto para bullying ou crueldade gratuita, mesmo que se trate de uma pessoa fictícia. As coisas que dizemos importam e nunca sabemos como é que as pessoas podem reagir. Existe poder nas palavras e existe poder na escolha de sermos bons uns para os outros.

Como um dia alguém disse, todas as pessoas que conhecemos estão a lutar uma batalha sobre a qual nada sabemos, por isso sejamos gentis, sempre.

E isso inclui a Cath Avery, a destinatária da carta aberta de hoje.

Querida Cath,

Em primeiro lugar, muitos parabéns pelo sucesso da tua fanfic. Apesar de a história do Simon Snow não fazer bem o meu género e de eu ter saltado quase todos os excertos que apareceram, o pouco que li provou que tens uma escrita maravilhosa.

O que já não achei tão maravilhoso foi a forma como trataste a tua irmã. Entendo que tenhas os teus traumas e que a dor da partida da tua mãe te tenha levado a ser mais introvertida, mas precisas de entender que nem toda a gente é obrigada a lidar com os problemas da mesma forma que tu. Eu própria também adoro estar sozinha com os meus livros e perder-me em mundos fantásticos, mas a literatura não pode nem deve ser encarada como um palácio de cristal. Tu não és melhor que a tua irmã porque preferes ficar em casa a ler enquanto ela sai à noite, tal como a tua irmã não é o monstro que pintaste apenas por ter objetivos diferentes dos teus. 

Eu acredito que o mundo fica mais bonito quando as pessoas se sentem à vontade para serem elas próprias e infelizmente, durante cerca de 400 páginas, senti que o tornaste mais feio de cada vez que rebaixaste pessoas cujos interesses divergiam dos teus. Tens amigos incríveis à tua volta e não me refiro apenas à tua irmã; o Levi, o Nick, a Reagan, até mesmo a tua professora de Escrita Criativa! Todos eles te abriram os braços e tu nunca foste capaz de descer do teu pedestal para reconhecer o esforço que fizeram por ti. 

Falavas muito da maneira como as pessoas te faziam sentir, mas alguma vez paraste para refletir sobre a forma como as fazias sentir a elas?

A isto chama-se empatia, um conceito que precisas urgentemente de aprender, para não acordares um dia e perceberes que afastaste toda a gente que alguma vez se importou contigo. 

E eu espero sinceramente que consigas lá chegar. És uma rapariga inteligente e tens todas as ferramentas para isso.

Não temos poder de decisão sobre as coisas que nos acontecem, mas a forma como tratamos os outros não é uma consequência dos baixos da vida, é uma escolha. 

Escolhe ser melhor. 

Por eles, mas sobretudo por ti.

Atenciosamente

Quem Me Lera

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