Opinião | Dear Martin

Autora: Nic Stone
Editora: Simon & Schuster
Ano de Publicação: 2017
Género: Ficção
Nº de Páginas: 210

SINOPSE

«Justyce McAllister is top of his class and set for the Ivy League – but none of that matters to the police officer who just put him in handcuffs. And despite leaving his rough neighbourhood behind, he can’t escape the scorn of his former peers or the ridicule of his new classmates.

Justyce looks to the teachings of Dr. Martin Luther King Jr. for answers. But do they hold up anymore? He starts a journal to Dr. King to find out.

Then comes the day Justyce goes driving with his best friend, Manny, windows rolled down, music turned up – way up, sparking the fury of a white off-duty police officer beside them. Words fly. Shots are fired. Justyceand Manny are caught in the crosshairs.»

Justyce é um jovem adolescente negro que foge ao estereótipo – melhor aluno da turma, capitão da equipa de debate e um candidato promissor a uma das melhores faculdades do país. No entanto, não é isso que o salva de ser algemado por um crime que não cometeu. Para lidar com as várias injustiças a que é sujeito, Justyce começa a escrever um diário a Martin Luther King, na esperança de que a sua sabedoria o ajude a lidar melhor com o racismo sistémico.

«Yeah, I grew up in a rough area, but I know I’m a good dude, Martin. I thought if I made sure to be an upstanding member of society, I’d be exempt from the stuff THOSE black guys deal with, you know? Really hard to swallow that I was wrong»

Quero começar por dizer que se forem ler este livro com a expectativa de encontrarem uma história grandiosa como a de O Ódio que Semeias, vão ficar desiludidos. Aqui o enredo segue um rumo mais frugal, servindo apenas de decoração para o tema central. 

É uma espécie de “Folheto Informativo do Racismo Sistémico na Sociedade e as Suas Várias Manifestações na Vida de Jovens Negros”. São abordados vários aspectos além da violência policial, muitos dos quais não costumam receber tanta atenção porque se focam mais na forma como os jovens lidam com a sua própria negritude, mas, infelizmente, a maioria não foi devidamente aprofundada.

«You know, I don’t get how you did it. Just being straight up. Every day I walk through the halls of that elitist-ass school, I feel like I don’t belong there, and every time Jared or one of them opens their damn mouth, I’m reminded they agree.»

As personagens coincidem com o enredo – simples, sem grande profundidade, mas cada uma servindo um propósito na história e na transmissão da mensagem. Representam as várias posições que são comuns perante o racismo. Há diversas referências e um foco especial na vida e filosofia de Martin Luther King, que o protagonista tenta adotar na sua constante luta contra o preconceito. Acompanhamos a sua jornada de autodescoberta, que além do racismo, inclui amizades turbulentas, um romance juvenil e reviravoltas perturbadoras.

A escrita incomodou-me. Não existe padronização nos diálogos, que ora eram pontuados com aspas, ora como se tratasse do guião de um filme, e a alternância da voz narrativa entre a história principal e as entradas do diário de Justyce tornou-se confusa.

No entanto, é um excelente livro para quem se está a iniciar nesta temática do racismo. Aborda o tema de forma acessível e a leitura é rápida. Contém aquele efeito de “murro no estômago” e complementa o diálogo iniciado por Angie Thomas em O Ódio que Semeias e On the Come Up.

Capa: ★★★★★
Enredo: ★★★☆☆
Escrita: ★★★☆☆
Personagens: ★★★☆☆
Avaliação Final: ★★★☆☆

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