Opinião | Racismo no País dos Brancos Costumes

Autora: Joana Gorjão Henriques
Editora: Tinta da China
Ano de Publicação: 2018
Género: Não-Ficção
Nº de Páginas: 157

SINOPSE

«COMO É SER NEGRO EM PORTUGAL NO SÉCULO XXI?

Há uma mulher que só foi chamada para uma entrevista num banco porque não colocou a sua fotografia no currículo; uma avó da Linha de Sintra que é atirada ao chão por um agente da autoridade quando pergunta por que razão querem prender o seu neto adolescente; uma professora universitária a quem perguntam, no hospital, se sabe ler; um advogado a quem um dia um polícia disse: «Um preto é sempre suspeito.»

São histórias reais e acontecem em Portugal, hoje. Compõem o retrato de um país que continua a viver no mito do não-racismo. Um país que mais depressa condena um negro, um país que recusa a nacionalidade portuguesa aos filhos de imigrantes nascidos cá, um país onde ainda se encontram listas de escravos nos baús dos avós, entre outros brandos — brancos — costumes.»

Este livro é o seguimento de um conjunto de reportagens do mesmo título, publicadas em 2016, no jornal Público. Um estudo que se centra nas marcas deixadas pelo colonialismo africano, tendo como base testemunhos reais que atestam a forma como o racismo se manifesta atualmente em Portugal.⁣

Há alguns anos que estou por dentro do Movimento Negro e que me tento educar mais sobre o assunto, então acreditem que é com toda a sinceridade do mundo que vos digo que este livro é um autêntico murro no estômago.⁣

«No país dos brandos costumes pode haver racismo, mas ninguém é racista porque racista são os outros.»

Os casos retratados são de fazer ferver o sangue. São o tipo de situações que muitos ainda acreditam que “apenas acontecem lá fora”, mas que estão aqui, mesmo por baixo dos nossos narizes, enquanto nos orgulhamos e defendemos em alto e bom som que Portugal não é um país racista. ⁣

Acabei-o em menos de 24h e a primeira coisa que me passou pela cabeça quando cheguei à última página foi que este livro devia estar a ser estudado nas escolas. São 157 páginas de puro conhecimento e todos os argumentos e questões abordadas são acompanhados de diversas referências e indicações de leituras complementares. Não é apenas um livro informativo, mas também um livro que apela à pesquisa individual.⁣

«É fácil encontrar portugueses que se vangloriam dos Descobrimentos, que alegremente descartam a violência da escravatura e que se recusam recordar que Portugal traficou a grande maioria dos 12 milhões de escravizados arrancados de África à força.»

Acredito que a luta contra o racismo começa em entender o que é, de facto, o racismo e isso não é algo que se consiga exclusivamente através das nossas experiências pessoais ou do “eu acredito que”. 

É preciso ler, é preciso procurar e acima de tudo é preciso estar disposto a ouvir.

Avaliação Final: ★★★★★

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