Opinião | Para Onde Vão as Meias que Desaparecem

Margarida Porto
Ilustração por Carolina Maria

Capa: ★★★★★
Enredo: ★★★★★
Escrita: ★★★★☆
Personagens: ★★★★★
Avaliação Final: ★★★★★

SINOPSE

«- Sabias que o maior mistério de todas as casas são as meias desaparecidas? Não é só na nossa. Ninguém sabe porque desaparecem, mas eu vou contar-te um segredo…

E sussurrou-me ao ouvido:
– Eu sei para onde elas vão.»

(Livro enviado pela autora)

Para Onde Vão as Meias que Desaparecem é um projeto que já vivia no coração de Margarida há algum tempo. No entanto, quando finalmente se decidiu a realizá-lo, deparou com um obstáculo que afeta grande parte dos autores portugueses da atualidade – a falta de apoio por parte das editoras. Recusando-se a desistir, arregaçou as mangas e decidiu ela mesma publicar a sua história. Foi através de uma campanha de crowdfunding, que contou com o apoio de mais de 170 pessoas, que Margarida conseguiu finalmente dar vida à sua história, em regime de publicação independente.

«— E como é que sabemos que estamos a procurar no sítio certo, avó? — perguntou Ricardo.
— É fácil. Fechas os olhos e respiras fundo, até ouvires uma vozinha no teu coração que diz “É isto”.»

A obra acompanha as peripécias de Sara e Ricardo, duas crianças que decidem partir à aventura e desvendar o mistério das meias que ficam sem par. Impulsionados pela matriarca da família, a Avó Alzira, e acompanhados pelos seus fiéis companheiros, o cão Meia-Leca e o caracol Chulé, dão por si numa jornada que os leva a um mundo que gravita em torno dos sonhos e da imaginação. O conceito remete muito a Alice no País das Maravilhas, com as suas personagens singulares e metáforas que são deslindadas através de uma perspectiva que apenas as crianças são capazes de ter.

«No início é sempre assustador ficarmos sem a nossa meia-metade. As meias estão tão habituadas a fazer tudo juntas, que se esquecem que também têm coragem de fazer algumas coisas sozinhas.»

A forma como o enredo foi organizado e como a escrita, tão terna e envolvente, o conduz contribuem para uma leitura rápida e acessível. As ilustrações, a cargo de Carolina Maria, são a cereja no topo do bolo e dão à história um toque mais realista. Posso dizer com toda a sinceridade que adorei a viagem, porque foi essa a experiência que este livro me proporcionou, uma viagem no tempo à criança que um dia fui e à que ainda vive dentro de mim.

Para Onde Vão as Meias que Desaparecem, apesar de ser um livro infantil, é um que recomendo a todas as idades. Não precisam de ser crianças para conseguirem apreciar uma história destas. O critério é só um saber sonhar com os olhos abertos.

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